2008

Workshop Brasil-Índia de Ciências da Computação

O Workshop Brsil-Índia de Ciências da Computação integrará cientistas da área dos dois países e será realizado nos dias 24 e 25 de junho, na Academia Brasileira de Ciências, no Rio de Janeiro, coordenado pelo Acadêmico Virgilio Almeida e pelo Prof. N.Balakrishnan.

Veja a lista dos participantes indianos a seguir:

O coordenador do evento, Prof. N. Balakrishnan, diretor associado do Indian Institute of Science, em Bangalore, especializado em segurança da informação;

Prof. Sankar Kumar Pal, diretor e Distinguished Scientist do Indian Statistical Institute, em Kolkata, especialista em inteligência artificial e data mining;

Prof. Krithi Ramamritham, do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento em Ciência e Engenharia da Computação do Indian Institute of Technology Bombay, da área de base e tecnologia da informação e comunicação para o desenvolvimento sustentável;

Dr. P. Anandan, diretor-executivo da Microsoft Research Índia, da área de gráficos para vídeos computacionais;

Prof. Partha P. Chakrabarti, consultor especial para pesquisa e desenvolvimento do Departamento de Engenharia e Ciência da Computação do Indian Institute of Technology Kharagpur, especialista em inteligênbcia artificial e CAD para VLSI.

Prof. Gautam Barua, diretor do Departamento de Engenharia e Ciência da Computação do Indian Institute of Technology Guwahati, da área de educação e pesquisa em ciência da computação.

Prof. P. Venkat Rangan, vice-chanceler, do Amrita Vishwa Vidyapeetham, especialista em multimídia e redes sem fio.

Os cientistas brasileiros envolvidos no evento são:

Prof. Alberto H. F. Laender, do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que apresentará os resultados de cinco anos do Projeto Gerindo, sobre gerenciamento de dados em grande escala.

Prof. Amit Bhaya, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que tratará das perspectivas de controle de algoritmos numéricos.

Prof. Augusto Sampaio, do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco proferirá a palestra intitulada From Requirements to Test Cases through Test Models.

Prof. Edmundo de Souza e Silva, do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (PESC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro falará sobre aplicações de multimídia na internet e questões de robustez.

Prof. José Carlos Maldonado, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo discorrerá sobre os programas de graduação em Ciência da Computação no Brasil sobre pesquisa em engenharia de software no âmbito do Qualipso Project.

Prof. J. Roberto Boisson de Marca, do Centro de Estudos em Telecomunicações da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) especialista em pesquisa em Telecomunicações.

Dr. Pedro L. Silva Dias, diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), que falará sobre as atividades desta unidade de pesquisa do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Prof. Roberto M. Cesar Jr., do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, que fará sua palestra em torno da análise e classificação da forma, mostrando resultados estatísticos e estruturais e suas aplicações.

Prof. Siang Song, do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, cuja palestra intitula-se Efficient Parallel Algorithms for String Processing Problems.

Prof. Luigi Carro, do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que proferirá palestra intitulada New architectures for the final scaling of the CMOS world.

Prof. Virgilio Almeida, do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais, cujo tema será o comportamento malicioso em grandes redes sociais on line.

Workshop Brasil-Índia de Ciência da Computação discutiu temas estratégicos para os dois países

1º Simpósio Indo-Brasileiro de Matemática

O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) foi palco do 1º Simpósio Indo-Brasileiro de Matemática, cujo comitê organizador contou com o presidente da ABC, Jacob Palis, que é pesquisador do IMPA, e os Acadêmicos Djairo Figueiredo (Unicamp), Aron Simis (UFPE) e Jefferson Antonio Galves(IME/USP). O Simpósio foi promovido pela Academia Brasileira de Ciências e pelo IMPA como parte das atividades relativas ao recente Acordo de Cooperação entre os Ministérios de Ciência e Tecnologia do Brasil e da Índia.

simis.jpg Simis informou que o evento pretende criar uma interação mais eficiente entre matemáticos do Brasil e da Índia. “A Índia tem uma tradição muito forte em Matemática, muito mais antiga do que no Brasil. O Simpósio faz parte do Acordo Brasil-Índia em C&T, mas acredito que a Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento (TWAS) tenha inspirado essa iniciativa, pois ela tem vários programas de cooperação Sul-Sul que são referência internacional e os cientistas do Brasil e da Índia têm nesta importante Academia Internacional uma grande participação.”

Entre os pesquisadores indianos presentes estavam o Prof. M. Raghunathan, pesquisador do Tata Institute of Fundamental Research (TIFR) em Bombaim, o Prof. S. Dani do mesmo instituto e o Prof. K. Sinhá, do J.N. Centre for Advanced Scientific Research, em Bangalore. Raghunathan é o presidente do Comitê Organizador do próximo Congresso Internacional de Matemática, que será realizado na Índia, em 2010. “É o principal evento da área, onde é feita a entrega da Medalha Fields, que corresponde ao Prêmio Nobel na área da Matemática. Raghunathan explicou que o agraciado não é avisado anteriormente, sendo o nome revelado apenas na própria cerimônia. “É a primeira vez que o Congresso será realizado na Índia. Sempre foi na Europa ou nos EUA, até que nos últimos dois anos as sedes foram Kioto e Beijing, respectivamente. Acho que o Brasil pretende sediá-lo em 2014 e apoiaremos sua candidatura. ”

jacob_raghunathan.jpg O pesquisador comentou que esta primeira iniciativa de aproximação, realizada pelo Prof. Jacob Palis, foi muito bem recebida pela comunidade matemática indiana. “As áreas de Geometria Algébrica e sobretudo a de Sistemas Dinâmicos são muito boas no Brasil. Surpreendeu-me a qualidade de vários dos trabalhos apresentados, acho que teremos grandes possibilidades de intercâmbio.”

Participaram também do evento os Acadêmicos Abramo Hefez (UFF), Alberto de Carvalho Peixoto de Azevedo (UnB), Arnaldo Leite Pinto Garcia (IMPA), Artur Oscar Lopes (UFRGS), Carlos Tomei (PUC-Rio), Claudio Landim (IMPA), Clayton de Lima (UFRRJ), Israel Vainsencher (UFMG), Marcelo Viana (IMPA), Marcio Gomes Soares (UFMG), Marcos Dajczer (IMPA), Mário Jorge Dias Carneiro (UFMG), Paulo Domingos Cordaro (IME/USP) e Welington de Melo (IMPA).

viana.jpg Para Marcelo Viana, o encontro consolidou a colaboração das comunidades de matemáticos nos dois países, que têm características semelhantes, mas com aspectos mais fortes em determinadas áreas da Matemática. “Na Índia as áreas mais fortes são a Geometria Algébrica, Teoria dos Números e Estatística. No Brasil são as áreas de Sistemas Dinâmicos, Probabilidade, Geometria Diferencial, Equações das Derivadas Parciais. Podemos aproveitar muito essa complementaridade.”

1º Simpósio Indo-Brasileiro de Matemática

Acordo de Cooperação Brasil-Índia em C&T

O relatório de avaliação das atividades do Acordo de Cooperação Brasil-Índia será apresentado na 4ª Reunião do Conselho Científico Brasil-Índia, que será realizada em 15/9, em Nova Délhi. O grupo brasileiro incumbido da apresentação conta com o presidente da ABC, Jacob Palis, o chefe do escritório internacional da ABC, Dr. Paulo de Góes Filho, os Acadêmicos Eloi Garcia, coordenador da área de Ciências Biomédicas e Virgilio Almeida, coordenador da área de Ciências da Computação.

O Acordo de Cooperação Brasil-Índia na área de Ciência e Tecnologia foi firmado em 2003, em convênio assinado entre os dois governos. Cada governo designou um presidente, um coordenador para cada área e representantes de organizações nacionais diretamente interessadas em cada área. As áreas definidas como prioritárias são Biotecnologia, Ciências do Mar, Tecnologia dos Materiais, Metrologia e Tecnologia da Informação.

A primeira reunião do Conselho foi realizada no Rio de Janeiro, em 2005. O segundo encontro teve lugar no Indian Institute of Science, em Bangalore, no ano seguinte. Dessas reuniões resultou um plano de trabalho, fechado no terceiro encontro, realizado no Brasil em 2007. Nesse plano foi incluída a área de Biocombustíveis. O financiamento desses encontros adveio de recursos da área de cooperação internacional do CNPq, até que finalmente recursos específicos foram alocados pelo MCT.

Foram realizados, até o momento, seis workshops – nas áreas de Fármacos, Nanotecnologia, Biomédicas, Física, Computação e Matemática. Uma única área, a de Bioenergia, ainda não foi atendida, estando prevista a realização de dois workshops nessa área.

Workshop sobre Fármacos

O primeiro workshop, realizado no Rio em 2007, contou com uma apresentação do Dr. Samaninathan Sivaram, diretor dos Laboratórios Nacionais de Pesquisa Química da Índia, seguida de um debate sobre os passos críticos da indústria farmacêutica indiana, com ênfase no papel das políticas públicas e privadas na produção de medicamentos genéricos e novos produtos químicos.

Depois da apresentação ocorreu uma discussão sobre os fitoterápicos e novos produto derivados de plantas, onde se debateu a experiência indiana e brasileira no aproveitamento dos conhecimentos tradicionais e os novos derivados utilizados pela grande indústria farmacêutica. Foram discutidas também as práticas regulatórias sobre o uso da biodiversidade e seus benefícios.

Um grande debate girou em torno da superação do fosso existente entre a ciência e a indústria. Foram discutidas as boas práticas laboratoriais, os testes pré-clínicos, as práticas de licenciamento e as práticas burocráticas das agências reguladoras. O desenvolvimento e produção pela indústria, os ganhos de escala, os processos de comercialização para os fitoterápicos e a questão das patentes foram outros dos temas debatidos pelo grupo de 15 representantes dos dois países.

Nanomateriais e outros materiais moleculares

Ocorrida em outubro de 2007, a missão brasileira à Índia contou com a participação dos Acadêmicos Fernando Galembeck, da Unicamp e Cid B. de Araújo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O grupo de cientistas brasileiros participou do Indo-Brazil Workshop on Molecular Materials Including Nanomaterials, em Pune, Índia, e da 10th International Conference on Advanced Materials (ICAM 2007), em Bangalore, esta última com mais de 1.200 participantes.

Os representantes da comunidade científica brasileira mostraram bastante satisfação com os resultados destes encontros, que além de fortalecerem os laços com seus pares indianos abriu outras portas, dado o caráter internacional dos eventos. Os participantes visitaram o laboratório do membro estrangeiro da ABC e Prêmio Nobel C.N.R. Rao, no Jawaharlal Nehru Centre for Advanced Scientific Research (JNCASR), em Bangalore, além de outros centros de pesquisa.

Segundo Galembeck, foi possível observar a alta qualidade e o elevado número de laboratórios ativos e muito bem equipados na área. O Acadêmico considerou a posição da Índia muito vantajosa em relação à do Brasil, vendo como muito boas as perspectivas com relação aos ganhos científicos e de capacitação de pessoal que o Brasil pode obter a partir deste acordo. Em sua opinião, o intercâmbio deverá focalizar as instituições indianas que contem com facilidades residenciais no campus, especialmente o Indian Institute of Science e o Jawaharlal Nehru Center, ambos em Bangalore.

A próxima reunião deve ocorrer em outubro-novembro de 2008, quando os projetos aprovados nos Editais brasileiro e indiano de intercâmbio já terão produzido resultados.

Doenças infecciosa

O terceiro encontro realizado no âmbito do Acordo Brasil-Índia em C&T ocorreu em Bangalore, na Índia, em janeiro de 2008. A delegação brasileira foi composta por seis membros, estando entre eles os Acadêmicos Eloi S. Garcia, Wanderley de Souza e Erney Plessmann de Camargo.

Eloi Garcia foi um dos palestrantes da cerimônia de abertura, realizada pelos organizadores do evento. Erney Camargo, especialista em malária, apresentou a situação da pesquisa no Brasil em relação a esta doença, assim como os pesquisadores Dr. S. Sharma, H. Balaram, U. Tatu, e N. Surolia o fizeram em relação à Índia. Wanderley de Souza falou sobre a situação da leishmaniose no território brasileiro, indicando as principais linhas e grupos de pesquisas na área, e os Drs. H.K. Majumder, S. Roy, A. Mukhopadhyay e C. Shaha falaram pelo lado indiano. Ainda foram discutidas a AIDS, a tuberculose e a lepra.

Após amplo debate, os pesquisadores decidiram realizar projetos em colaboração nas áreas de Parasitologia (leishmanioses e malária), Microbiologia (tuberculose) e Virologia (HIV/AIDS) para serem apresentados como projetos comuns colaborativos à Academia Brasileira de Ciências e ao Department of Science and Technology.

Física da Matéria Condensada

Coordenado pelos Acadêmicos Amir Caldeira, Belita Koiller e Luiz Davidovich, este workshop ocorreu em abril de 2008, no Rio de Janeiro. O coordenador indiano, Sushanta Dattagupta, diretor do Indian Institute of Science Education and Research (IISER), em Kolkata, trouxe uma delegação composta por nove membros de diversos institutos de pesquisa indianos.

De acordo com os organizadores, os institutos de pesquisa na Índia são bem apoiados e financiados, o que já não ocorre com as universidades. Os institutos absorvem os pesquisadores que concluem o mestrado, mas as universidades ainda continuam sem área experimental. No Brasil, um dos maiores problemas da área é a falta de integração entre a universidade e os setores industriais e tecnológicos. A universidade é tradicionalmente voltada para a pesquisa básica e faltam oportunidades em pesquisa e desenvolvimento no país, já que as empresas investem pouco em inovação tecnológica.

O desenvolvimento científico dos dois países é correspondente, tanto em termos de qualidade como de volume, daí as boas possibilidades de interação. As dificuldades, porém, também se assemelham, como as disparidades regionais, acentuadas na Índia pelo sistema de castas.

Entre os palestrantes brasileiros estavam os Acadêmicos Carlos Alberto Aragão de Carvalho (UFRJ), Luiz Nunes de Oliveira (USP-São Carlos), Mauricio Coutinho (UFPE) e Mucio Continentino (UFF).

Ciência da Computação

Realizado em junho de 2008 no Rio de Janeiro, este workshop foi organizado pelo Acadêmico Virgílio Almeida e pelo Dr. N. Balakrishnan, do Indian Institute of Science, que ressaltou a importância do encontro, destacando o “peso científico” da delegação indiana.

Almeida apresentou um panorama da área de Ciência da Computação no Brasil e citou os grandes desafios de pesquisa na área para os próximos dez anos, posicionando a delegação indiana sobre a situação no Brasil e as perspectivas futuras. Os Acadêmicos Pedro Leite da Silva Dias, Edmundo de Sousa e Silva e Roberto Boisson de Marcatambém proferiram palestras, entre as 20 realizadas. Todas focalizaram temas avançados de pesquisa e temas de interesse social e estratégico para os dois países, como tecnologias da informação e comunicação para regiões emergentes e cybersegurança.

O workshop mostrou alguns pontos interessantes e comuns aos dois países. Na Índia, está em curso um projeto do governo para ampliar consideravelmente a capacidade de formação em Ciência e Engenharia, com o objetivo de passar de sete para 13 o número dos Indian Institute of Technolgy (IIT) e aumentar o número de Indian Institute of Information Technology (IIIT) para cinco.

Os números relativos à capacidade de formação de mestres e doutores em ciência da computação são similares. Há, no entanto, na Índia uma clara escassez de PhDs na área para contratação pelas universidades, dado o fato de que as indústrias de TICs contratam todo o pessoal formado no país. Há a previsão de que o setor de tecnologia da informação (TI) venha a representar 8% do PIB da Índia em 2015. Por ser considerado um setor crítico e estratégico para aquele país, uma das missões da área científica é pesquisar métodos e algoritmos de segurança e criptografia, projeto que envolve nove institutos de pesquisa na Índia.

Há uma oportunidade clara de colaboração na formação de mestres e doutores nos dois países, principalmente porque se observa um perfil complementar nos dois sistemas, já que o sistema educacional indiano tem hoje uma ligação muito forte com a indústria, colocando a maioria de seus mestres e doutores nas empresas e indústrias.

Há um interesse comum na pesquisa de tecnologias da informação aplicadas às áreas de saúde, educação e linguagens naturais, vistas como uma possibilidade de contribuição do conhecimento científico a grandes contingentes populacionais dos dois países. Há também uma série de problemas ligados a arquitetura de redes nacionais envolvendo infra-estrutura de redes sem fios e outras dificuldades em comum.

Matemática

O 1º Simpósio Indo-Brasileiro de Matemática foi realizado no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), Rio de Janeiro, em julho de 2008. Participaram da reunião 19 matemáticos da Índia e 52 do Brasil, além de estudantes e outros interessados.

O escopo da reunião foi bastante amplo, envolvendo os temas de sistemas dinâmicos e teoria ergódica, equações diferenciais parciais, probabilidade, física matemática, teoria de operadores e geometria algébrica. O nível científico foi excelente e pode-se concluir que ambas as comunidades matemáticas tiveram uma visão ampla do que se passa nos dois países em pesquisa cientifica. Vários planos de intercâmbio de cientistas, inclusive em nível de pós-doutorado, foram estabelecidos, e foi agendado um próximo Simpósio para dezembro de 2009, na Índia.

O Comitê Organizador do workshop foi composto pelos pesquisadores indianos Kalyan B. Sinha e Shrikrishna G. Dani e pelos Acadêmicos Aron Simis (UFPE), Antonio Galves (IME/USP), Djairo Figueiredo (Unicamp) e Jacob Palis (IMPA). Participaram ainda, como palestrantes, os Acadêmicos Abramo Hefez, Arnaldo L. P. Garcia, Artur O. Lopes, Claudio Landim, Israel Vainsencher, Marcelo Viana, Márcio G. Soares, Marcos Dajczer, Paulo Cordaro e Welington C. de Melo.

Um programa bem sucedido

O Programa Brasil-Índia é um modelo bem sucedido para a implementação de programas de cooperação. Países com níveis de desenvolvimento equivalentes não têm, necessariamente, os mesmos níveis de desenvolvimento científico ou educacional em todas as áreas. No caso do Brasil e da Índia, que têm desenvolvimento científico equivalentes, tanto em qualidade em volume, há um elevado nível de complementaridade de áreas, o que beneficia a emergência de projetos conjuntos com alto grau de sucesso.

O modelo institucional adotado, com a constituição de um Conselho Científico formado por cientistas de grande projeção internacional dos dois países e que exercem, também, a coordenação de áreas no âmbito da implementação, foi fundamental para o extraordinário sucesso da execução do programa. Esse sucesso vem sendo amplamente reconhecido, tanto pela comunidade científica como pelo Ministério das Relações Exteriores, que concorda que essa iniciativa sirva de base para outras semelhantes.

IV Reunião do Conselho Científico Brasil-Índia

Realizada em Nova Delhi, na Índia, no dia15/9, a quarta reunião do Conselho Científico Brasil-Índia fortaleceu a qualidade do diálogo científico entre Brasil e Índia, estimulado não apenas pelas semelhanças em áreas de interesse e no nível de desenvolvimento das ciências, mas também pela rede de contatos pessoais entre acadêmicos de ambos os países.

Esta foi a avaliação do presidente da ABC, Jacob Palis, que chefiou a delegação brasileira, integrada pelo chefe do Escritório de Cooperação Internacional da ABC, Paulo de Góes Filho, pelos Acadêmicos Eloi de Souza Garcia e Virgilio Augusto Fernandes Almeida, além do chefe do Setor de Ciência e Tecnologia da Embaixada do Brasil em Nova Délhi, Gustavo Nogueira.

A delegação indiana foi chefiada pelo membro estrangeiro da ABC Chintamani N.R. Rao, ex-presidente do Centro Jawaharlal Nehru para Pesquisa Científica Avançada (JNCASR) e ex-diretor do Instituto Indiano de Ciências (IISc), em Bangalore, que hoje atua como principal assessor do primeiro ministro Manmohan Singh em temas de C&T. Além de representantes do Departamento de Ciência e Tecnologia (DST), integraram a delegação o Prof. M.R.S. Rao, atual presidente do JNCASR, o Prof. Sushanta Dattagupta, diretor do Instituto Indiano de Educação e Pesquisa Científica (IISER , em Calcutá), e o Dr. S. Sivaram, diretor do Laboratório Nacional de Química (NCL, em Pune). Estiveram presentes, ainda, representantes de outras instituições científicas de renome no país.

Após breves palavras introdutórias dos co-presidentes Palis e Rao, foram mencionados os avanços registrados após a última reunião do Conselho, em 31 de maio de 2007, no Rio de Janeiro. Desde então, cinco workshops conjuntos foram realizados – dois na Índia (Materiais Moleculares e Doenças Infecciosas) e três no Brasil (Física da Matéria Condensada, Técnicas Computacionais e Matemática). Além destes, está previsto para o início de novembro, no Brasil, um workshop na área de Ciências Biomédicas.

A primeira chamada conjunta para projetos (DST/CNPq) foi lançada em outubro de 2007 e teve acolhida muito positiva da comunidade científica, resultando na decisão de apoio a 19 projetos. A delegação brasileira informou que o país deverá destinar, nos próximos três anos, US$ 800 mil para projetos conjuntos na área de saúde (malária, HIV/Aids e tuberculose), e a parte indiana comprometeu-se a contribuir com aporte equivalente. Além da área de doenças infecciosas, também estão sendo examinadas propostas nas áreas de Computação, Química, Nanociências e Oceanografia, esta com ênfase nas mudanças climáticas. Também foi discutida a possibilidade de estimular a pesquisa conjunta na área de biocombustíveis.

A próxima reunião do Conselho deverá ocorrer entre setembro e outubro do próximo ano, no Rio de Janeiro. Cogitou-se a realização, na ocasião, de workshop na área de Química ou de Nanomateriais. Foi decidida ainda uma nova chamada conjunta para projetos, que deverá ocorrer até o fim de 2008.

O presidente da ABC ressaltou que a simpatia da Índia pelo Brasil facilita o diálogo, e que a criação do Conselho Científico, em 2005, deu ânimo renovado à cooperação bilateral em termos de C&T. Para ele, o respaldo dos membros do Conselho às iniciativas em curso resultam em projetos maduros, com o envolvimento de grupos de pesquisadores de excelente nível.

Com relação ao financiamento dos projetos conjuntos, Palis afirmou que o MCT tem reagido positivamente ao interesse demonstrado pela Índia. Após a aprovação da primeira proposta de aporte financeiro para co-patrocínio de projetos, ficou patente a qualidade dos projetos sob análise e o elevado interesse demonstrado pela comunidade científica de ambos os países. Com isso, a possibilidade de duplicar, ou mesmo triplicar o volume de recursos já foi aventada.

O presidente da ABC afirmou contar com o apoio do Ministro Sérgio Rezendepara ampliar o aporte de recursos à cooperação científica com a Índia e ressaltou que o nível de entendimento alcançado com este país se destaca entre as demais iniciativas de cooperação internacional da Academia Brasileira de Ciência

Acordo de Cooperação Brasil-Índia em C&T

Workshop Brasil-Índia de Doenças Infecciosas

A ABC promoveu workshop sobre doenças infecciosas, dentro do acordo Brasil-Índia firmado pelos respectivos Ministérios da C&T, representando os governos dos dois países. O evento ocorreu na sede da ABC, entre 3 e 5/11, e contou com 18 cientistas brasileiros e oito indianos discutindo a situação da Aids, tuberculose, lepra, malária e leishmaniose nos dois países.

O workshop foi aberto pelo presidente da Academia Brasileira de Ciência (ABC), Jacob Palis, que deu as boas-vindas aos participantes, especialmente aos cientistas indianos presentes, além de destacar a importância da cooperação Brasil-Índia. Em seguida os coordenadores do evento – o Prof. M.R.S. Rao (pelo lado indiano) e o Acadêmico Eloi S. Garcia(pelo lado brasileiro) – apresentaram a proposta da reunião. A idéia é que cada um dos grupos estabelecidos discutisse o “estado da arte” em seu país da Aids, tuberculose, lepra, malária e leishmaniose – doenças infecciosas cujo estudo foi definido como prioritário por ambos os países e aprovado na reunião Brasil-Índia realizada na ABC em 2006.

Dezoito cientistas brasileiros e oito pesquisadores indianos apresentaram suas conferências, e os grupos se reuniram no final de cada tarde para elaboração de um documento, atualizando as prioridades debatidas nos projetos definidos na reunião de janeiro de 2008 em Bangalore, na Índia.

O organizador brasileiro do evento, Eloi Garcia, considera que as doenças discutidas são de alta prevalência e altamente endêmicas nos dois países. Para ele, os pontos principais de discussão envolvem novos fármacos mais eficazes e mais baratos que possam controlar essas cinco doenças; novos métodos de diagnóstico mais rápidos e específicos para estas doenças e, em terceiro lugar, a possibilidade de desenvolvimento de vacinas.

“Este evento marca o início de um processo de cooperação. O Brasil e a Índia tem pouca cooperação científica, esse programa da ABC está criando uma movimentação no sentido de aproximação e crescimento da interação entre os dois países”, disse o Acadêmico Wanderley de Souza, que coordenou a área de malária e leishmaniose. Nessa área, foram definidos ao final da reunião quatro projetos conjuntos.

Para Eloi Garcia, esse se tornará um mega-projeto que envolverá não só o intercâmbio de pesquisadores como também o desenvolvimento de tecnologias. “A Índia é um país que está num nível de desenvolvimento científico muito parecido com o Brasil”.

O Acadêmico Manoel Barral-Neto avalia que os dois países têm apresentado uma expansão recente na atuação científica, apresentam algumas similaridades e, principalmente, algumas complementaridades na abordagem, o que pode ser bastante útil aproximar para estimular projetos em conjunto.

Para Barral-Netto, indianos e brasileiros são culturalmente muito diferentes, mas ao mesmo tempo são povos que não têm muita animosidade, o que torna a aproximação mais fácil. “O Brasil e a Índia têm uma série de doenças em comum, e nós decidimos começar a cooperação pelas doenças dos pobres. Temos muito que trocar”.

Wanderley de Souza explica que na reunião de 2006 foram identificados focos iniciais, o que levou à elaboração de um projeto e um levantamento dos recursos necessários. Ambos foram submetidos à reunião de cúpula Brasil-Índia e foram aprovados. “Hoje nós já temos um texto e recursos financeiros aprovados, de modo que essa segunda reunião já permite um planejamento mais efetivo para o início do ano que vem.”

Segundo Wanderley, alguns dos projetos aprovados neste encontro visam ao desenvolvimento de medicamentos para malária, leishmaniose e toxoplasmose. Outros três enfocam a área básica, visando a uma melhor compreensão de como é exercida a ação parasitária. O Acadêmico considerou o resultado do evento muito positivo e afirmou que em meados de março a Índia já estará recebendo um grupo de estudantes brasileiros no âmbito do projeto.

O grupo de leishmania, ao qual pertencia o Prof. Barral, apresentou idéias que ainda não foram publicadas. “Numa reunião deste tipo, a gente pode ver o que ainda está em andamento nos laboratórios. Isso permite que a colaboração comece nessa fase, o que possibilita propostas de projetos em conjunto. Se somarmos nossas competências, temos a chance de sermos mais competitivos internacionalmente”, explicou. Sendo o único grupo que ainda não tinha um projeto de pesquisa bilateral, decidiu elaborar um documento de imediato e enviá-lo, o mais rápido possível, a ABC e ao Department of Science and Technology (DST) da Índia.

O grupo de pesquisadores indianos informou que o DST já aprovou três projetos colaborativos: HIV/Aids, tuberculose e parasitologia (malária e leishmaniose) e está para avaliar o projeto sobre a investigação de lepra. No entanto, enfatizaram que os recursos financeiros indianos somente serão liberados quando o Brasil também aprovar os projetos solicitados pelos cientistas brasileiros.

A reunião foi elogiada por todos os participantes e apresentadores, que destacaram o alto nível científico dos debates ocorridos e principalmente o foco dado a cada uma das doenças. Na reunião de encerramento do workshop, os participantes manifestaram a importância da parceria Brasil-Índia e a relevância dos projetos colaborativos, totalmente diferentes aos dos outros programas já existentes no CNPq, que enfocam a relação pesquisador-pesquisador. O evento foi encerrado com a solicitação de todos os presentes para que a ABC continue se empenhando em somar esforços para conseguir financiamentos que possibilitem o prosseguimento dessa frutífera colaboração.

Workshop Brasil-Índia sobre Doenças Infecciosas

Sessão da ABC na Conferência Internacional sobre Biocombustíveis

No período de 17 a 21 de novembro, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) participará da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis: Os Biocombustíveis como Vetor do Desenvolvimento Sustentável (Biofuels 2008), que será realizada no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo. Em parceria com o governo brasileiro, com a Universidade de São Paulo (USP) e com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a ABC organizará uma das cinco Sessões Especiais do evento, que discutirá o papel da pesquisa científica na área dos biocombustíveis, no dia 18 de novembro, das 18h às 20h. Seis especialistas participarão do debate: os Acadêmicos João Alziro Herz da Jornada (moderador), Carlos Henrique de Brito Cruz, e os convidados Mohamed Hassan (relator; matemático e diretor-executivo da TWAS), Edward A. Hiler (engenheiro agrícola da Texas University), Richard Murphy (do Departamento de Ciências Biológicas do Imperial College of Science, Technology & Medicine, em Londres)e Udipi Shrinivasa (engenheiro aeronáutico do Indian Institute of Science).

Segundo o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Academia, Paulo de Góes Filho, doutor em Antropologia Social que dedica seus estudos às áreas de Política Externa e Relações Internacionais, a participação da instituição no encontro é um marco extremamente importante. “É extremamente relevante o convite que a ABC recebeu para organizar uma mesa redonda durante o evento, convocada pelo Presidente da República”, afirma. O anúncio de que o Brasil iria sediar a conferência foi proferido por Luiz Inácio Lula da Silva, durante a 62ª sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas em Nova York, nos Estados Unidos (EUA), em setembro do ano passado.

Góes garante que a Academia se prepara com afinco para produzir informações científicas confiáveis sobre o impacto dos biocombustíveis. De acordo com o antropólogo, o tema central em debate é o conflito entre a utilização de terras para o cultivo de alimentos em oposição à produção dos biocombustíveis. “Alguns países, como o México, por exemplo, são muito sensíveis a este problema, porque atribuem o aumento de preço do milho à sua utilização para fazer biocombustíveis”, justifica.

A conferência internacional será dividida em duas partes. A primeira será constituída por Sessões Plenárias, que serão abertas ao público, nos dias 17, 18 e 19. Cinco Sessões Especiais, em que participantes selecionados, dentre eles membros da comunidade científica dos países membros das Nações Unidas, discutirão temas específicos relacionados aos biocombustíveis. A segunda parte será composta pelo segmento Intergovernamental de Alto Nível, que será promovido nos dias 20 e 21. Este bloco será composto por mesas redondas, que contarão com a participação de representantes de governos, organismos internacionais e convidados especiais.

As Sessões Plenárias discutirão cinco diferentes temas, lideradas por oito especialistas. Os assuntos desenvolvidos serão:

Segurança Energética: transição da matriz, diversificação das fontes e universalização de acesso.
Mudança do Clima: mitigação das emissões de gases do efeito estufa, mudança de uso da terra e análise comparativa do ciclo de vida.
Sustentabilidade: segurança alimentar, geração de renda e desafios para os ecossistemas.
Inovação: pesquisa e desenvolvimento, biocombustíveis de primeira e segunda geração e oportunidades para a ciência e tecnologia.
Mercado Internacional: regras comerciais, questões técnicas e padrões sócio-ambientais.

O encontro oferecerá uma oportunidade única para a discussão internacional dos desafios e das oportunidades apresentadas no setor. Para o Brasil, os biocombustíveis são mais que uma nova fonte energia – representam uma alternativa para a promoção do desenvolvimento sustentável, uma arma para a superação dos desafios de combate à pobreza, uma garantia da segurança energética e uma forma de preservar o meio ambiente, através da redução das emissões de gases de efeito estufa.

ABC e os Biocombustíveis

Biocombustíveis, Ciência, Tecnologia e Inovação

Biocombustíveis e Mercado Internacional

Biocombustíveis e Mudança do Clima

Biocombustíveis e Segurança Energética

Biocombustíveis e Sustentabilidade

O Papel da Pesquisa Científica em Biocombustíveis

Avanços e Perspectivas da Ciência no Brasil, América Latina e Caribe

Aproveitando o fim de ano, a Academia Brasileira de Ciências reune os seus membros e convida proeminentes cientistas da América Latina e Caribe para fazer um apanhado dos principais acontecimentos cientificos do ano e prospectar o futuro.

Jovens Cientistas da TWAS nas Ciências da Vida